Stanislav Grof

"...acho que tudo isso aponta para o fato de que a atual visão de mundo monista / materialista é seriamente defeituoso, e que precisamos de uma maneira completamente diferente de olhar a realidade. Mas há uma enorme resistência contra as novas observações do mundo académico, porque a revisão que é necessário é demasiado radical, algo que não pode ser tratado por um pouco de retalhos, por pequenas hipóteses ad hoc aqui e ali. Nós teríamos que admitir que a filosofia básica da visão de mundo científico ocidental está seriamente errada e que, em muitos aspectos xamãs das culturas pré-literadas e culturas antigas tiveram uma compreensão mais adequada da realidade do que nós temos. Temos aprendido muito sobre o mundo da matéria, mas em termos de compreensão metafísica básica da realidade, a ciência ocidental se extraviara."

Stanislav Grof, o maior pesquisador clínico do LSD, criador da psicologia transpessoal e a técnica de expansão de consciência holotropic breathing:

entrevista em inglês

Trechos do livro "A mente holotrópica" de Stanislav Grof:


"Eu nunca tinha considerado seriamente a possibilidade de haver alguma coisa como consciência de planta: Havia lido sobre experimentos a respeito da 'vida secretadas plantas' e de como a mente do plantador pode influir na colheita. Sempre considerei essas coisas como uma dessas historinhas da Nova Era. Mas, ali estava eu, completamente transformado numa sequóia gigantesca.Estava absolutamente claro para mim que o que estava experienciando ocorre realmente na natureza, que eu estava descobrindo,agora, dimensões do cosmos normalmente desconhecidas de nosso sentido e inteligência. O nível mais superficial de minha experiência parecia bastante físico e envolvia coisas descritas pelos cientistas ocidentais mas, para mim, pareciam apresentar um novo ângulo: processos mentais guiados por inteligência cósmica, ao invés de acontecimentos mecânicos na matéria orgânica ou inconsciente. Meu corpo' tinha realmente a forma de sequóia, ele era a sequóia. Podia sentir a seiva circulando, através de um intrincado sistema de vasos capilares sob minha casca. Minha mente seguia o fluxo até os galhos e espinhos mais finos, e testemunhou o mistério da comunhão da vida com o sol - a fotossíntese. Meu conhecimento chegou ao sistema de raízes. Mesmo a permuta de água e alimento,tirados da terra, não era um processo mecânico, mas consciente e inteligente. Entretanto, a experiência tinha níveis mais profundos, místicos, e essas dimensões entrelaçavam-se com os aspectos físicos da natureza. Assim, a fotossíntese não era somente um espantoso processo alquímico;era um contacto direto com Deus, que se manifestava através dos raios do sol. Os processos naturais, como chuva, vento e fogo, tinham dimensões místicas e eu os encarava facilmente como deidades tal como o fazia a maioria das culturas aborígines." p. 129

 

"Parecia-me haver conectado, de maneira muito profunda, com
a vida neste planeta. Passei, primeiro, por toda uma série de
identificações com várias espécies, porém, mais tarde, a experiência foi cada vez mais abrangente. Minha identidade espalhou-se não apenas horizontalmente no espaço, para incluir todas as formas vivas, mas também verticalmente, no tempo. Tornei-me a evolutiva árvore darwiniana com todas as suas ramificações. Eu era a totalidade da vida! Senti a qualidade cósmica das energias e experiências envolvidas no mundo das formas vivas, a infinita curiosidade e a experimentação que caracterizam a vida e o impulso para a auto-expressão, tudo operando em diferentes níveis. Para mim, a questão crucial era a sobrevivência, ou não, deste planeta. É um fenômeno viável e construtivo, ou um crescimento maligno na face da Terra que contém algum fluxo fatal em seu esquema, condenando-o à autodestruição? É possível que tenha havido algum erro básico quando o plano para a evolução das formas orgânicas foi configurado? Os criadores do universo podem errar como os humanos? Naquele momento parecia uma ideia plausível, mas muito ameaçadora, algo em que eu não havia pensado antes. Identificando-me com a vida, experienciei e explorei todo um spectrum de forças destrutivas operando na natureza e nos seres humanos. Percebi suas perigosas extensões e projeções na moderna sociedade tecnológica - destrutivas operações de
guerra; prisioneiros de campos de concentração morrendo em
câmaras de gás; peixes envenenados em águas poluídas; plantas mortas por herbicidas; e insetos borrifados com produtos
químicos." p. 132

 

"Dirigi-me a um lugar para além das palavras, para além dos símbolos, para além das imagens - um lugar de inexistência, mas de uma inexistência em que estava todo o conhecimento do que é, do que pode ser e do que será, uma inexistência em que eu era luz esperando para brilhar, som pulsando para nascer.
... Enquanto passava pelos níveis de realidade entre o mundo material e a energia pura, eu via o meu corpo encapsulado em palavras, definido, restrito, limitado por palavras. E, ao me dirigir ao lugar para onde ia, libertei-me desses vínculos de palavras e penetrei numa infinidade desprovida de palavras e de temporalidade, uma infinidade de amor, de êxtase, de bênção, da "paz que transcende toda a compreensão". Eu estava - e estou - em sintonia com o universo; eu sou o universo; Deus e eu somos um único ser."

"Seguindo as instruções de meu guia, segurei a pequena figura de pedra (um leão da montanha entalhado em pedra) na mão direita e dirigi-me a ela em seu papel no tradicional pensamento Zuni, isto é, "Guardião do Norte". A comunicação foi muito forte e direta - eu diria comunicação visceral, não verbal - como se eu pudesse conectar-me com cada célula do corpo do animal, ocasionalmente tornando-me seu próprio corpo, ao invés de observá-Io. Num momento, recebi uma clara imagem mental de uma bela, macia e majestosa leoa, quase escondida numa moita de grama alta à beira de um cânion.
A Leoa da Montanha aproximou-sede mim, com cautela,
andando para trás e para frente,num descontraídoziguezague.
Pareciaolhar-me seminteresse,mas eu estavacerto de algo que
poderia descrevercomo uma forte conexão entre nós dois. Se
eu me movesseou tivessequaisquer pensamentosou sentimentos agressivosem relação a ela, com certeza ela sentiria uma
mudança nessa conexão energética e, instantaneamente, fugiria. Eu sentia medo e respeito por ela, mas alguma coisa dentro de mim mostrou-me que estava seguro em sua presença,desde que mantivesse meu atual estado mental - de simplesmente aprender com ela." p. 185


"De repente ela esticou o pescoço, mostrando os dentes, guinchando num uivo ensurdecedor e de gelar o sangue nas veias, fazendo com que tilintantes ondas elétricas me subissem pela espinha. Então, parou, e eu senti-me inundado por sentimentos de amor e apreciação por ela, não mais temeroso mas cheio de respeito. Ela sentou-se, então, arrumou-se um pouco, girou a cabeça e parecia estar olhando além de mim, como se não lhe interessasse eu estar ou não estar ali.Ouvi um ruído assombroso que vinha de dentro de seu corpo, e levei um momento para perceber que ela estava ronronando como um gato, só que muito mais alto, uma espécie de profundo estrondo que ressoou em meu corpo de maneira quase sexual. Como digo, não houve palavras entre nós mas, mesmo assim, naquele momento em que estivemos juntos obtive uma nova perspectiva do que significa manter fronteiras e territórios individuais, além de consideração pelas suas caçadas e profundo, sagrado respeito, e amor, pela presa. A Leoa da Montanha conhecia profundamente a natureza, com que se relacionava não apenas como se a natureza fosse um simples lugar: para ela, a natureza era uma impressionante força contendo todos os seres, fossem eles caçadores ou presas, ou criaturas que, de algum modo, viviam fora desse sistema de vida animal." p. 186

"A inteligência que deu origem ao nosso universo é enormemente sofisticada, e seus trabalhos estão muito além da compreensão humana. Se você quer acesso a essa inteligência, ela terá que lhe ensinar como recebê-Ia. Desde que essa inteligência nada mais é que o seu próprio ser, é questão de prender como estar atento em mais e mais níveis de 'seu' próprio ser, ou seja, do ser tal como é. Hoje, recebi numerosas visões do universo e instruções de como apreendê-Ias. A meditação foi feita por um conselho de anciões. Os anciões eram os guardas do conhecimento, o conhecimento do que estava se passando no universo por bilhões e bilhões de anos. Já que eu buscava esse conhecimento, fui levado ao conselho para obtê-Io. O conhecimento não é, apenas, dado a você; você tem que trabalhar para consegui-Io. Primeiro, tem que chegar a um nível de percepção e, depois, trabalhar para sustentar a concentração necessária para receber o conhecimento que eles se dispõem a lhe oferecer." p. 189

"Eu estava sentado junto ao conselho de anciões no núcleo
primordial do universo,nas entranhas da terra, onde os guardiões da existência física se reúnem e fazem as coisas acontecerem. Eu queria entender, queria conhecer coisas. Quando me vinha à mente alguma coisa que eu queria entender, o conselho, imediatamente, sabia o que eu pensava e aceitava isso corno se fosse um pedido formal. O chefe do conselho, em voz trovejante, lançava um cântico: 'Ele quer saber isso.' Então os outros juntavam-se a ele e começavam uma invocação.Cantavam para juntar as forças necessárias à obtenção do conhecimento." p. 190

"Algumas vezes eu cometia um erro; me distraía enquanto os anciões cantavam. Quando isso acontecia, sentia-me agarrado até os ossos e alguma coisa me dizia: 'Escute! Escute! Cresça! Escute! Não é nada disso. Agora, preste atenção!' Aqueles enormes monges me inculcavam: "Espere! Todas essas coisas têm seu lugar. Mas, se você quer entender a estrutura do universo, você precisa ser capaz de fazê-Io em níveis profundos. Você precisa ser capaz de experienciá-Io" p. 190

 

Estados Não-Odinários de Consciência - Stanislav Grof

O psiquiatra checo Stanislav Grof foi pioneiro nos estudos da psique humana através da indução de estados não ordinários de consciência, e é um dos fundadores da Psicologia Transpessoal. Nesse vídeo, ele descreve a importância desses estados não ordinários para a saúde da atual civilização global.

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