Harmonia II – Horizontalidade das Vozes

Nessa lição, será trabalhada a horizontalidade das vozes, ou seja, a melodia. Apesar dessa série trabalhar com o método Koellreutter, esse post é embasado no livro de Stefen Kostka, Harmonia Tonal. Achei melhor que essa parte introdutória fosse trabalhada separadamente, uma vez que é omitida do livro Harmonia Funcional, o que usaremos do próximo post em diante.

A Linha Melódica:

  1. Ritmo. Mantenha o ritmo simples com a maior parte das durações sendo igual ou maior do que a unidade de tempo. A nota final deve ocorrer sobre um tempo forte.

  2. Harmonia. Cada nota da melodia deve pertencer ao acorde que harmoniza.

  3. Contorno. A melodia deve ser principalmente em graus conjuntos. A forma da melodia deve ser interessante, porém clara e simples, com um único ponto focal (a nota mais aguda da melodia).

  4. Notas Atrativas. Na música tonal o VII grau tem uma forte tendência a subir para o I. Uma exceção é a linha escalar descendente a partir do I: 1 – 7 – 6 – 5. Uma outra nota que deve ser considerada é o 4, que frequentemente desce para o 3, mas não com a regularidade que o 7 sobe para o 1.
    O ponto focal é melhor empregado por volta de 3/4 da frase. No 6 compasso em uma frase de 8, por exemplo.

  5. Saltos.

  • Evite intervalos aumentados, de 7ª e intervalos maiores que uma 8ª justa. Os intervalos diminutos podem ser usados se a melodia mudar de direção por grau conjunto imediatamente após o intervalo.

  • Um intervalo melódico maior do que uma 4ª justa é melhor ser abordado e deixado na direção oposta ao salto.

  • Saltos menores quando usados consecutivamente na mesma direção, devem arpejar uma tríade.

Na prática, como funcionará isso?

Primeiro, aplicaremos as regras melódicas em uma progressão:

I V I | IV I I | vi ii V | I

Agora, aplicaremos essa progressão em uma tonalidade, Ré. Podemos ver que é uma progressão maior, evidenciada pelo I. Com os acordes, ficaria:

D A D | G D D | Bm Em A | D

Como temos que usar notas do acorde na melodia, temos três possibilidades de começar: Ré, Fá# e Lá. Optei por começar com Lá, pois facilitará a condução de vozes em posts futuros.

Em D, temos Ré Fá# Lá
Em A, temos Lá Dó# Mi
Em G, temos Sol Si Ré
Em Bm, temos Si Ré Fá#
Em Em, temos Mi Sol Si

A melodia em relação a tonalidade ficou:  5 7 1 | 1 3 1 | 3 4 7| 1

Houve um salto de quinta, que foi compensado com a resolução em grau conjunto.

Outro exemplo:

Em relação a tonalidade: 1 7 1 | 6 5 1 |  1 2 7 |1

Salto para sexta, compensando em sentido oposto de volta para a quinta. O 1 2 7 1 é uma figura melódica muito usada na musica tonal.

Não foram melodias particularmente fáceis de serem cantadas, muito menos melodias interessantes de serem ouvidas. Poderíamos fazer inúmeras combinações com essas notas. Cada uma das melodias se harmonizará de maneira diferente, o que deixará qualquer melodia muito mais interessante! Veremos isso nas próximas lições.

Christhian Beschizza

compositor, violonista, produtor, editor, autor e psiconauta

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