Alan Watts compartilha compreensão sobre identificação (legendado)

Despertar X Evolução Espiritual (Diego Palma)

A busca espiritual tem duas direções a seguir dependendo de como as entendemos. Estas duas direções são completamente opostas e irreconciliáveis.

De uma mão você tem o caminho da Evolução Espiritual, que abrange o desenvolvimento humano, o crescimento espiritual, tornando-se uma pessoa melhor, mais feliz, andando e explorando o terreno do jogo da vida, cultivando emoções positivas, como gratidão e expandindo seu potencial ilimitado no sonho da vida.

Por outro lado, você tem o caminho do Despertar, o que significa a realização da verdade, de ver claramente o que é verdadeiro e o que não é, permanecendo na consciência não dual.

Andar um "caminho espiritual" e "despertar" são duas coisas relacionadas, mas completamente diferentes.

A evolução espiritual é sobre se tornar uma pessoa melhor e mais feliz, é sobre a construção de um ego melhorado, enquanto o despertar é sobre a desconstrução do ego e das crenças que defendemos.

O ego pode alcançar o despertar?

O conflito fundamental na busca espiritual é que o ego nunca consegue despertar. O ego pode desejar a realização da verdade, mas o ego não pode atravessar essa linha. O ego é o único que bloqueia o caminho do Despertar. Para alguém que quer chegar à verdade, quem você é é o que está bloqueando o caminho. O ego está na estrada.

A verdade é um desafio único e desafiador, porque o que você quer é a única coisa na estrada.

Então, como o conflito fundamental é resolvido, "o ego não pode despertar"?

O conflito fundamental só pode ser resolvido alterando a equação. A realização espiritual é redefinida como algo alcançável pelo ego, e agora a equação funciona para a satisfação de todos. O ego consegue continuar a busca nobre e uma "indústria espiritual" próspera continua a florescer. Claro, ninguém recebe o Graal, mas se você entender o conflito fundamental, você verá que ninguém o queria de qualquer maneira.

Despertar é uma ação sem sentido, a menos que seja absolutamente necessário

O estado desperto não é, como se supões normalmente, um estado especial e místico. O despertar é simplesmente despertar. Não é mais nada, é tudo menos. O estado desperto é simples, natural e calmo. Não levar bagagem. Não desperdiçar sua força vital, animando um personagem fictício.

Os despertos não têm algo que os despertos não têm, é o contrário. Aqueles que não estão despertos têm uma estrutura massiva de falsas crenças.

Despertar é uma ação inútil. Isso significa desconstrução, olhe a falsidade do seu ser mais precioso e tudo o que você criou. Quem faria algo parecido? O objetivo de um sonho é sonhar, não acordar. Se você sonha com uma vida confortável e feliz, por que se preocupar com isso? Se você está tendo um sonho maravilhoso, qual é o motivo do despertar? Por que intervir com um sonho maravilhoso?

No entanto, se você se tornar a pessoa que não suporta a falsidade do estado do sonho, o seu interesse muda para a necessidade de cortar com a mentira e descobrir o que é verdadeiro, então você está no lugar errado e não faz sentido pretender o contrário, mas tentar fazê-lo antes de realmente fazer isso é tão ridículo como cortar partes de seu corpo.

Podemos despertar pefeccionando seu personagem do sonho?

Não se desperta aperfeiçoando seu personagem no sonho, você desperta libertando-o. Não há verdade no ego, então nenhum grau de domínio sobre isso resulta em algo verdadeiro.

Prestar atenção ao ego simplesmente o reforça.
Adyashanti disse: "A espiritualidade não tem nada a ver com a melhoria do seu status no estado onírico. O progresso espiritual não inflige nenhum dano ao ego, em geral, a espiritualidade reforçará em vez de desmantelar a própria imagem. "

O maior desafio para a maioria dos buscadores espirituais é abandonar sua própria importância e ver o vazio de sua própria história pessoal. É sua história pessoal que você necessita despertar para ser livre.

O que o termo Zen significa "Makyo"?

Durante a meditação de Zazen, o aluno pode experimentar todo tipo de experiências incríveis apenas para que o professor possa polvilhar com água fria chamando-os de "makyo".

Quando um professor de Zen usa o termo makyo, ele está dizendo a seu aluno que a jóia preciosa que ele está parando para coletar ou as lindas flores que ele está colecionando, só tem valor ou beleza no mundo que escolheram deixar para trás.

O Tao diz: "Tenha cuidado com as armadilhas floridas porque, para possuí-las ou aproveitá-las, você deve parar de viajar e ficar no sonho".

Romper com ilusão tira tudo o que você tem. O preço da verdade é tudo. Tudo. Essa regra é inviolável.

Alguém pode se iluminar?

A realização da verdade não é algo pessoal. Ser não pode conseguir não ser. O resultado não é um eu realizado, não está sendo. Ninguém pode dizer "Estou iluminado" porque não há "eu" nele. Não existe uma pessoa esclarecida. Existe apenas o estado despertado, a permanência não dual, que é indiferenciada. Não é a minha realidade, é a realidade.

O sucesso na realização da nossa verdadeira natureza é absolutamente assegurado. A luta para alcançar a verdade é, a seu modo, tão ridícula como a luta pela morte. Qual é o ponto? Ambos irão encontrá-lo quando chegar a hora. Devemos nos preocupar que, se não encontrarmos a morte, a morte não nos encontrará? Claro que não. Todos acabaremos completamente "esclarecidos", independentemente do caminho que tomemos.

Despertar para a sua verdadeira natureza é como morrer; É uma certeza, inevitável. Você chegará lá, não importa o que faça, por que se apressar? Aproveite a sua vida, é grátis.

A vida não é mais do que um sonho.

[2:34] Eckhart Tolle - Facebook Ego (Legendado)

O EGO E A EXPERIÊNCIA PSICODÉLICA – Por S. B.

Segundo Sigmund Freud (1856 – 1939), o Ego é a parte mediadora da personalidade do indivíduo, dividida entre o Id e o Superego. O Ego teria como função cuidar para que os desejos incontidos do Id, ou Libido, não extrapolassem os limites do bom-senso, bem como cuidaria para que os atos repressivos do Superego não dominassem de todo a liberdade incontida da nossa libido. O Ego, portanto, teria a função salutar de forjar assim nossa identidade.

Bem, a formação do nosso Ego se dá desde os primeiros momentos de nossa infância, onde predomina o Id e logo depois o autoritário Superego, que aparece logo após a formação do Ego. O Id é basicamente os desejos incontidos que temos de tudo fazer e sentir prazer, relacionado por Freud à libido, que de outra forma tem relação com nossos desejos egoístas e irracionais. Já o Superego seria uma representação da moralidade e valores sociais, forçando o ego a andar na “linha”, geralmente em posse de pensamentos dualistas, como bem e mal, certo e errado etc. O Ego, desta forma, viveria sob o fogo cruzado do Id e do Superego, um desejando extrapolar os limites e o outro tentando impor limites.

O Ego é alimentado desde nossa infância e nos dá base para uma vivência em comunidade, a partir de um olhar do outro sobre nós mesmos, bem como os conceitos que estes têm em relação a nós. Metaforicamente, seria como a ‘persona’ relatada por Jung, que por sua vez foi um termo tomado emprestado das máscaras do teatro grego para sua representação de personagens encenados a cada ato diferente. Ou seja, o Ego seria um falso Eu (Self), brigando para manter seu domínio sobre os nossos instintos mais profundos, sendo apenas uma máscara utilizada para representar uma personagem no teatro da vida. Segundo Shakespeare (1564 – 1616), em Romeu e Julieta: “O mundo inteiro é um palco e todos os homens e mulheres não passam de meros atores. Eles entram e saem de cena e cada um no seu tempo representa diversos papéis”.

Ora, uma das questões mais duras de se encarar durante a experiência psicodélica com o LSD é a desegoização temporária do ser e tudo que ela representa neste grande teatro da vida. Quando uma pessoa induz-se ao transe psicodélico, o referencial de tempo, espaço e de quem o indivíduo é (ou quem ele acredita ser), se perde naquele espaço de horas, e isto pode causar encontros e desencontros para cada um em particular.

Como o indivíduo cresceu ouvindo que ele era uma pessoa com determinadas qualidades e passou a acreditar em tais elucubrações de terceiros, ele sedimentou seu ego em uma realidade distante da qual ele de fato acredita. Muito do seu ser interior extravasa quando só, onde as representações do Id podem ser mais fortes. Ele pode ser mesquinho, individualista, não ser ético e até mesmo com potenciais danosos para a sociedade e para si mesmo. No entanto, quando em frente à família ou a pessoas estranhas à rua (amigos, colegas de trabalho, faculdade etc.), ele se deixa abater pelos domínios do Superego e se torna àquilo que seus pais ou doutrinadores queriam que ele fosse. Tudo não passa de uma máscara (persona).

Com a experiência psicodélica, a censura é suspensa e os instintos afloram, e neste momento a personalidade pode sofrer um choque, um conflito imensurável que levará o indivíduo do céu ao inferno em questão de segundos. Uma das primeiras aparições deste conflito está no fato dele se dar conta que usou um psicodélico para alterar a consciência, ele entende que o tal psicodélico em questão é uma droga ilícita e a “moral e os bons costumes” ditam que usar tais compostos é ilegal e pode causar problemas sérios com a justiça e com a sociedade. No entanto, ao sentir o prazer que a droga ilícita lhe proporciona, ele simplesmente não entende como a mesma pode ser demonizada perante a sociedade, e com isso se estabelece uma “guerra-fria” entre o que se deve ou não deve fazer no tempo que precederá. Sobre esta questão Freud relata, em seu livro O Ego e o Id (1923), que “(....) o homem normal não é apenas mais imoral do que crê, mas também muito mais moral do que sabe (....)”.

Subjetivamente, e esta é toda a questão, a experiência psicodélica implode tudo o que se aprendeu sobre si mesmo e sobre o mundo até então, com base no Ego, e uma nova gama de informações é apresentada ao experimentador, com novas cores, sons e texturas. Toda uma realidade interna até então desconhecida se mostra em detalhes para aqueles que caminham em direção à lisergia. É como mergulhar em um lago profundo de mistérios a serem revelados, onde a loucura e sabedoria estão lado a lado, ou você afunda como um louco ou emerge como um sábio, desde que saiba notar as pequenas diferenças e consiga aplicá-las ao seu cotidiano. Neste momento, o Ego está em suspenso, sem poder opinar sobre o Id e o Superego, e o cérebro se torna um turbilhão de sentimentos e mensagens ‘in loco’.

A experiência psicodélica não vem para destruir o Ego humano, isso é impossível, pois o mesmo é necessário para a sobrevivência e convívio entre os outros seres humanos com os quais nos relacionamos; a experiência psicodélica vem para ampliar a visão que o ser humano tem de si mesmo e do seu Ego, ela causa um impacto profundo na psique e destrona o Ego de seu lugar de mediador, levando a uma dissolução completa e perfeita do ser humano e o transmutando para um estado de coalizão com o Todo, mostrando que no fundo fazemos parte do Nada-Ser, e que o silêncio interior é nossa verdadeira identidade. Somos unos com o Universo e tudo que o compõe e nossa consciência vai além do que os nossos Egos procuraram nos moldar durante nosso processo existencial. Somos mais que nossos próprios umbigos. Somos frutos de uma consciência Cósmica, somos frutos das estrelas, como mesmo RNA composto em tantos gases soltos pelo Universo, formando novos planetas. Portanto, nos conscientizemos sobre este ser que não somos, em forma de Ego, para aprendermos que o mais importante, no fundo, é Não-Ser, pois nosso tempo aqui é passageiro, e o que fizermos, sempre faremos para os outros que virão.

Tomemos muito cuidado com o Ego que nos engana em relação a nossa verdadeira identidade, fiquemos em alerta sobre os seus sinais para não sermos incautos, pois como bem alertou o pai da psicanálise, em seu livro já citado: “[....] Em troca de uma alma imortal, o Demônio (Ego) tem muitas coisas a oferecer, que são altamente prezadas pelos homens: riqueza, segurança quanto ao perigo, poder sobre a humanidade e as forças da natureza, até mesmo artes mágicas, e, acima de tudo o mais, o gozo – o gozo das mulheres belas. [....].”

Luz e paz a todos!

[14 min] UM NOVO MUNDO - O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA | Eckhart Tolle

Don Secoia

Músico, Editor, Produtor,Professor

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