Ajudando alguém através de uma bad trip,

de uma crise psíquica ou de uma crise espiritual.
FAQ do Erowid traduzida no forum Teonancatl.org

Fernando Beserra fala sobre psicodélicos e redução de danos.

Introdução

Há muitas situações diferentes nas quais uma pessoa pode precisar de ajuda enquanto estiver sob efeito de psicoativos. Decidir o que fazer em uma situação particular requer calma, pensamento claro e a habilidade de tomar decisões. Este guiaé voltado a fornecer ideias do que alguém pode fazer para ajudar. Qual(is) método(s) em particular deve(m) ser usado(s) será algo único para cada tipo de situação. Lembre-se, apesar de não ser fácil nas situações mais extremas, a coisa mais importante que você pode fazer para ajudar alguém em crise psicodélica é permanecer calmo e com a maior lucidez possível.

Avaliação
A ajuda a alguém em situação de crise deve ser dividida em dois estágios: avaliação e ação. O primeiro passo é avaliar a situação e tentar determinar o tipo de ação que precisa ser tomada.

Tipo de Situação

  • Existe perigo físico imediato ou potencial? [Crítico] A pessoa está consciente? A respiração está reduzida ou acelerada? Ritmo cardíaco? Há qualquer descoloração da pele? Se inconsciente, há resposta apropriada à dor?

  • A pessoa é um perigo para si mesma ou para os outros? [Crítico] Ela está violenta e agindo de forma ameaçadora contra terceiros? Quais são as chances de que ela ataque alguém? E de se machucar sem querer? Entrar num carro e dirigir? Tentar se matar?

  • A pessoa está tendo uma crise espiritual, mental ou emocional? [Crise] Ela lhe parece excessivamente assustada, deprimida ou irritada? Mudanças de humor? Agindo como louca? Acordada mas não responde?

Informação Útil
A seguinte informação pode ser útil em determinar qual ação deve ser tomada. Tente não deixar a pessoa sozinha enquanto estiver coletando os dados. Em casos de crises espiritual e/ou emocional, é com frequência melhor perguntar a amigos ou pessoas próximas do que tentar obter tais informações diretamente da pessoa em crise.

  • Qual foi a substância utilizada? Se possível, aprenda qual(ais) substância(s) a pessoa tomou e por qual meio (oral, fumado, injetado). O quanto ela tomou? Quando tomou? Estará ela fazendo uso de outros medicamentos ou suplementos?

  • Quem é essa pessoa? Possui amigos por perto? Onde mora? Possui um histórico prévio deste tipo de problema ou similar?

Descubra tudo o que puder. Sem uma boa avaliação do que está ocorrendo, é mais provável a incidência de erros críticos ao lidar com a situação (bombear desnecessariamente alguém cheio de benzodiazepínicos, falhar em ligar pra emergência a tempo, etc.). Com o máximo destas informações quanto possível em mãos, decida sobre a gravidade da crise e aja de acordo com o tipo de situação:

  • Crítica - perigo físico imediato ou potencial da pessoa a si mesma ou a outros, possivelmente requerendo atenção médica;

  • de Crise - favorável para comportamento psicótico extremo, repetições de pensamentos negativos, ataques de pânico.


  • Situações que Requerem Ajuda Profissional


  • 1) Se você sentir que vidas estão em risco.

    2) Se você sentir que a situação está fora de controle e que ninguém mais deseja assumir a responsabilidade pela pessoa.​



  • Situação Crítica ou de Ameaça à Vida
     

  • Quem está disponível para ajudá-lo? Ache alguém com experiência médica em emergências. Quanto mais, melhor, mas alguém com treinamento na Cruz Vermelha é bem melhor do que alguém sem noção de primeiros socorros.
     

  • Se a pessoa está tendo convulsões. Afrouxe as roupas, coloque uma almofada e posicione o corpo dela de forma a prevenir ferimentos e sufocamento. Convulsões podem ser muito, muito sérias; são mais arriscadas quanto mais frequentes e mais longas forem, e podem causar dano cerebral permanente nos piores casos.
     

  • Se a pessoa está consciente. Olhe para sinais reveladores do que ela tomou: tensão forte na mandíbula é normalmente associada a MDMA ou outros estimulantes. Observe se está nistagma (olhos agitados), também sinal de uso de estimulantes. Procure por suor - que é um bom sinal neste momento. Atente para calafrios, cubra-a com um cobertor se aparentar estar com tremores.
     

  • Se a pessoa está inconsciente. Tente acordá-la gentilmente. Balance-a com jeito, dirija-lhe a palavra com voz firme (“Você está bem? Devo chamar um médico?”). Se estiver vomitando, vire-a de lado para que o vômito possa fluir pra fora da boca (e assim ela não irá se sufocar). Tente determinar se a pessoa está em coma ou em um estado dissociado
    [veja abaixo - definição de coma].

     

  • Se a pessoa não estiver respirando, tente fazê-la voltar a respirar. Afrouxe as roupas. Sacuda-a com gentileza. Desobstrua as vias aéreas, especialmente se houve vômitos. No Brasil, a respiração de resgate pode ser executada por qualquer pessoa enquanto os profissionais de emergência não chegarem ao local.

  • Se o coração da pessoa não está batendo. A reanimação cardiopulmonar (RCP) pode ser realizada por alguém certificado para tanto.

  • Nota da tradução: no Brasil, a reanimação cardiopulmonar pode ser executada por qualquer pessoa enquanto os profissionais de emergência não chegarem ao local.

  • Ligue para a Emergência - SAMU (192), Bombeiros (193) ou outro número com socorro médico em sua localidade. Lembre-se que irá demorar um pouco para o assistente responder às perguntas, e esteja pronto para a chegada dos veículos de emergência e dos possíveis policiais. Limpe o caminho para o pessoal da emergência até a pessoa. Se você estiver em uma festa, desligue a música e faça um anúncio para localizar amigos… se algum ainda estiver disponível.

  • Esta pode ser uma decisão difícil em muitas situações, mas neste momento estamos falando de eventos com perigo de vida. As consequências de chamar ajuda externa serão bem menos severas do que as consequências da perda de uma vida.

  • Situação de Crise (Emocional, Mental, Espiritual)
    Situações de crise podem se manifestar de múltiplas maneiras, desde explosões beligerantes potencialmente violentas, até a completa supressão de estímulos externos, bem como paranoia ou medo debilitantes, ou ainda comportamentos psicóticos ou compulsivos relativamente inofensivos. Como alguém lida com esta situação depende muito dos sintomas que a pessoa está experimentando.

    Na maioria das situações, você não está tentando forçar nenhuma ação ou reação em particular da parte da pessoa em crise. A questão não é de “acalmá-la” com palavras, uma vez que isto normalmente só piora as coisas. Tenha certeza de que ela saiba que tudo no mundo externo está em perfeita ordem… Você está com ela, cuidando dela. Garanta que ela não se machuque nem a outros, e se as coisas saírem de controle, chame por ajuda. Seja lá o que você decida fazer, atente para as reações dela. Se o que você está fazendo parece piorar as coisas, parta para outra solução.

    Muitos guias e conselheiros que possuem experiência com este tipo de crise emocional/espiritual aguda dizem que a melhor coisa a se fazer é dizer para deixar fluir e relaxar nos sentimentos. O mantra “respire, relaxe, deixe fluir” foi desenvolvido nas décadas de 1960 e 1970 para terapias psicodélicas e argumenta-se que muito da dissonância emocional e do estresse mental advém de lutar e resistir contra processos internos desconfortáveis. Guias sugerem que normalmente o medo é a força dominante a precipitar uma crise e o papel principal de um gerenciador de crise é ajudar a criar um espaço no qual a pessoa possa se sentir segura.

    Lista Rápida 
    Tente ter noção do “quão longe” a pessoa está. Ela pensa estar no mesmo lugar em que você? Ela sabe que horas são, ou como se chama? Ela sabe que ingeriu um psicoativo?

  • Tranquilize-a, em tom de voz calmo e prosaico, de que você está com ela e cuidando dela.

  • Lembre-lhe de que este é um estado mental induzido por substância, de que irá acabar.

  • Lembre-lhe de respirar e relaxar.

  • Deixe-a saber que crises espirituais são normais.

  • Permaneça tão calmo quanto possível enquanto estiver falando com a pessoa, e use um tom de voz normal mesmo que você esteja ansioso.

  • Se possível, traga-lhe um pouco de água ou um pedaço de pão. Pergunte-lhe se gostaria de um gole ou de uma mordida.

  • Sente e converse. Passe o tempo com ela.

  • Se você sabe o nome dela, use-o algumas vezes: “Hey, Fulano(a), como você está?”

  • Se apresente, diga seu nome e como você chegou até ali.

  • Olhe para coisas bonitas.

  • Cante (qualquer coisa, mas especialmente músicas infantis).

  • Cuide de um animal, ou brinque com um.

  • Vá caminhar.

  • Recorde boas memórias (praia, crianças, etc.).

  • Dance.

  • Deem as mãos.


  • Armadilhas a Evitar

  • Não tente demais trazer a pessoa em crise “de volta à Terra”. Isto frequentemente piora as coisas.

  • Não a confunda com perguntas repetidas sobre questões que não pode responder.

  • Não a faça se sentir ainda mais isolada agindo de foma preocupada e nervosa perto dela.

  • Evite qualquer atividade física complexa, como tentar fechar o zíper de uma jaqueta, ou consertar o som, ou ainda acender a luz piloto do fogão.

  • Respeite suas necessidades e fronteiras:

  • Não toque nela se não quiser ser tocada.

  • Dê espaço à pessoa se ela aparentar que o deseja.


  • O Que Fazer

  • Se uma pessoa parece estar passando por um momento difícil, gentilmente lhe pergunte se tem alguém que ela gostaria que estivesse junto para ajudar. Se ela parecer perturbada com a ideia de ter outrem ao lado de si, tenha alguém por perto para ficar discretamente de olho nela.

  • Relacione-se com a pessoa no espaço em que ela se encontra. Muitas vezes, o que a isola e cria um senso de paranoia ou perda é que ela está tão além da consciência normal que as pessoas tentam excessivamente trazê-la de volta. Parta para, ao contrário, estar ali por ela e mais nada. Tente ver o mundo através dos olhos dela.

  • De quais formas diferentes você pode mudar o cenário/setting (nível de ruído, temperatura, exterior contra interior, etc.)? Um cenário do tipo festa-rave ou concerto pode agravar o estado mental da pessoa. Considere encontrar um local o mais quieto possível se isto parecer ajudar (depende das pistas dadas pela pessoa em crise), e peça aos demais presentes para não se amontoarem à volta. Reassegure-a de que a situação está sob controle, anotando quem oferecer ajuda caso esta seja necessária depois.

  • Como você pode reduzir o risco de prejuízo emocional ou físico? Lembre-se de que a sua preocupação deve ser com os sentimentos da pessoa em crise, e não com a situação em si (como em “ah, Jesus, Maria, José! Nós temos que fazer alguma coisa”).

  • Paranoia: se a pessoa não quer ninguém por perto, retroceda, vire-se de forma que não a encare; mas a mantenha sob sua vista da forma mais discreta possível. Pense em como seria estar em um estado de paranoia, tendo ainda um estranho (irrelevante se você o é de fato ou não) te seguindo e vigiando.

  • Que tipo de objetos, atividades e/ou distrações ajudarão a pessoa a superar um momento difícil (brinquedos, animais, música, etc.)?

  • Sem pressão: apenas esteja com ela. A menos que haja risco de lesão corporal, tão-somente deixe claro que você está ali no caso dela precisar de alguma coisa.

  • Toque. O toque pode ser muito poderoso, mas também pode ser muito violador. Em regra, não toque a menos que a pessoa diga que pode, ou que lhe toque primeiro. Se parecer que ela precisa de um abraço, pergunte-lhe. Se ela está além da comunicação verbal, tente ser sensível a qualquer reação negativa ao toque. Tente evitar ser arrastado para qualquer contato sexual. Frequentemente, dar as mãos é um meio muito efetivo e não ameaçador de deixar que uma pessoa saiba que você está ali para ajudá-la se for preciso.

  • A intensidade pode vir em ciclos ou ondas. Também pode funcionar como um sistema - um movimento através de espaços transpessoais que pode ter um começo, um meio e um fim. Não tente forçar demais para movê-lo.

  • Vai acabar: se a pessoa está conectada o suficiente para se preocupar com a própria sanidade, assegure-lhe de que está em estado alterado devido a um psicoativo e que depois de um tempo retornará ao seu estado mental “normal”.

  • Indução normal por drogas: conte à pessoa em crise que ela está experimentando os efeitos agudos de um psicoativo (se você souber qual, diga-lhe), que é normal (apesar de incomum) passar por crises espirituais e que ela (assim como outros milhares que a antecederam) estará bem se relaxar e deixar a substância seguir seu curso.

  • Respiração: respire com a pessoa. Se ela estiver conectada o suficiente para colaborar com sua assistência, faça-a se juntar a você em respirações profundas, longas e cheias. Se estiver dócil a este ponto ou se estiver realmente distante e surtando, colocar uma mão na barriga dela e dizer “respire por aqui por baixo”, “apenas continue respirando, você pegou o jeito”, pode ajudar.

  • Relaxamento: pode ser muito difícil relaxar enquanto se morre ou se é despedaçado por demônios, mas lhe diga que você está ali para garantir que nada ocorra com seu corpo físico. Uma das coisas mais importantes durante processos internos realmente difíceis é aprender a estar bem com a ocorrência destes, para “relaxar” da tentativa de frear a experiência e apenas a deixar acontecer.

  • Ficando meditativo: sugerir-lhe gentilmente que feche os olhos e se foque no próprio interior pode, às vezes, mudar o curso da experiência em andamento.

  • Descalço no chão: uma das coisas que mais centraliza e traz de volta à Terra é tirar os tênis e meias e deixar seu pé tocar diretamente no chão duro. Tenha cuidado ao fazer isso em locais com riscos de danos aos dedos.

  • Contato visual: se a pessoa não está agindo de forma paranoica ou com medo de você, tenha certeza de adicionar bastante contato visual.

  • Tudo está bem comigo: deixe claro que o mundo pode desabar para ela, mas que está tudo bem com você.

  • Processo saudável: crises são uma parte normal dos processos psicológicos humanos, e uma forma de aproveitá-las melhor é tomá-las como um método de cura, não como um “problema” a ser concertado. Veja Grof, Bill Richards, et al.


  • Pode ser extremamente difícil conversar, se relacionar, ou sequer estar totalmente ciente da presença de outras pessoas durante o pico de experiências intensas. Se você está cuidando de uma pessoa que está nesta situação, ouça o que ela diz e (se parecer apropriado ou útil) poderá fazer-lhe indagações bem simples sobre suas experiências: “que cor é esta?”, “você está triste?”, “qual a sua idade?”, etc.

    É provável que as respostas sejam metafóricas e vagas: “todas as cores”, “sou mais velho que o rio”, etc. Não espere conseguir travar uma conversação normal.

    A coisa mais confortadora que algumas pessoas reportaram ter ajudado durante uma experiência aguda foi um cobertor enrolado em torno delas. Não podemos recomendar o suficiente que se tenha um cobertor pesado e espesso para emergências.



    Resumo
    Apesar de que lidar com uma crise psicodélica possa ser igualmente enervante para os participantes, cuidadores/sitters e observadores, a maioria dos eventos são gerenciáveis através de uma avaliação cuidadosa seguida de uma resposta calma e decisiva. Para a pessoa que estava em crise, integrar a experiência uma vez que a fase aguda tenha passado é tão importante quanto encarar a própria crise.

Psicodélicos em debate:

8:35 - Início

9:55 - Apresentação Sandro Rodrigues; gestão autônoma de psicotrópicos

16:21 - Enfoque da investigação com LSD e MDMA; renascimento da pesquisa com psicodélicos; relacionamento usuário e substância 

21:05 - A psiquiatria nacional e internacional frente à pesquisa e uso de psicodélicos

26:54 - Apresentação Fernando Beserra; a pesquisa psicodélica brasileira 

29:36 - Início da militância psicodélica brasileira, os adulterantes de LSD e a relação com o proibicionismo; da Ala Psicodélica à discussão acadêmica e política; a coluna "Portas da Percepção" no Hempadão e a propagação da militância

38:12 - Diferenças entre o uso recreacional e terapêutico na experiência do usuário e as lições da campanha (crowdfunding); o uso medicinal como caminho para a legalização

44:40 - A importância do Set & Setting; as finalidades políticas do proibicionismo; redução de danos e cartilha "Psicodélicos e Direitos Humanos"; o uso interdisciplinar dos psicodélicos; a revolução da medicina psicodélica

51:00 - As valorações e usos possíveis dos psicodélicos; psicodélicos e indústria farmacêutica; questionamentos éticos da gestão terapêutica de psicodélicos

1:01:49 - Requisitos dos pacientes selecionados para a pesquisa 

1:05:15 - Metafísica e psicodélicos

1:08:26 - Carl Jung, Timothy Leary e Robert Anton Wilson sobre a Realidade; a eticidade da gestão terapêutica; LSA e relatos subjetivos; psicodélicos e criatividade; psicodélicos aos profissionais da saúde; 

1:18:13 - Questionamentos acerca da Realidade; as relações entre espaço e tempo, estética e eros na experiência psicodélica; o uso ritualístico de ayahuasca como uso terapêutico; linguagem e inefabilidade; a necessidade da leitura interdisciplinar

1:29:48 - Peculiaridades do MDMA; anedotas do LSD e materialismo científico 

1:33:02 - Pesquisa psicodélica e a mídia brasileira; orçamento da pesquisa; articulação da comunidade psicodélica brasileira

1:38:11 - Comentário de Sandro Rodrigues sobre a comparação do Prof. David Nutt: "a proibição dos psicodélicos equivale-se a proibição do telescópio pela Igreja Católica no fim da Idade Média"; o impacto sóciocultural do uso de psicodélicos

1:44:13 - Comentário de Fernando Beserra; o fracasso e os danos da proibição; redução de danos e "test kits"

1:47:22 - Comentário de Eduardo Schenberg; as dificuldades da pesquisa psicodélica; os psicodélicos como agentes contrários aos paradigmas psiquiátricos e filosóficos; a história científica afetada pelo proibicionismo

1:52:17 - As implicâncias da legalidade da terapia com MDMA nos EUA; resistência e importância de movimentos e coletivos

1:59:52 - Momento em que a meta de R$ 50.000 é atingida

2:00:59 - Processo gradual e a necessidade de mais pesquisas

2:03:41 - A etimologia de "psicodélico" e estigmas associados; o termo "alucinógeno" e debate entre "psicodélico" e "enteógeno"; o erro dos termos "alucinógeno" e "psicotomimético"; a contracultura e os psicodélicos

2:14:18 - A pesquisa com MDMA como geradora de novas formas de tratamento; respiração holotrópica; associação entre psicoterapia e psicodélicos; uso disciplinado de psicodélicos e dos estados alterados de consciência

2:19:23 - A reação preconceituosa do ocidente em relação aos psicodélicos e povos originários; o limite do objetivo e subjetivo, corpo e mente; o reconhecimento dos riscos associados; 

2:28:55 - A necessidade de psicodélicos para grupos que não respondem à meditação e respiração holotrópica; uso não ritualístico de psicodélicos e o respeito pela diversidade das pessoas

2:31:43 - Agradecimentos e finalização

Apêndices

Antídotos
Esta seção é para discussão de substâncias que são usadas no tratamento de crises psicodélicas. A droga mais usada por profissionais de emergência é a Clorpromazina (Amplictil), apesar de que seu uso foi reduzido em parte porque parece ser psicologicamente extremamente árduo para quem o toma.

A maioria das crises agudas que terminam em atendimento de um profissional de emergência são resultado de extrema ansiedade. Psicodélicos podem e de fato precipitam sentimentos incontroláveis de paranoia, ansiedade, medo e outros estados agitados. De acordo com profissionais médicos que possuem experiência em lidar com psicodélicos, os fármacos principais usados para tratar destes estados agitados agudos são os benzodiazepínicos como Rivotril, Diazepan, Lexotam e outros.

 

“Se todas as abordagens psicológicas falharem e se tranquilizantes tiverem de ser usados, é muito melhor começar com Librium (30-60 mg) ou Valium (10-30 mg), o que parece aliviar emoções dolorosas sem interferir no curso da sessão. O quanto antes, o paciente deve retomar uma posição reclinada com tapa-olhos e fones de ouvido, para continuar com a abordagem introspectiva da experiência”.
- Stan Grof, LSD Psychotherapy


Haloperidol - Uma droga antipsicótica usada para tratar psicoses agudas e crônicas e que é considerada “particularmente efetiva no gerenciamento de hiperatividade, agitação e mania”.
[mentalhealth.com]

Risperdal (risperidine / risperidone) - Antipsicótico relativamente novo frequentemente considerado como a primeira opção entre os antipsicóticos para tratamento de episódios psicóticos agudos e extremos induzidos por alucinógenos por conta de sua afinidade com receptores 5HT2a. Antipsicóticos não costumam ser usados para tratar reações de pânico e outras crises psicodélicas que não envolvam atitudes externas.
[TraumaSurvival.org]

Amplictil (clorpromazina) - Um antipsicótico com um grande rol de efeitos colaterais desagradáveis, é uma distante terceira ou quarta opção no tratamento da maioria das psicoses e ansiedade. “Amplictil e Melleril são agentes antipsicóticos de uma classe chamada fenotiazinas. Eles são excluídos do uso em idosos porque não possuem um perfil favorável de efeitos colaterais. Se um agente tiver a necessidade de controlar episódios agudos de comportamentos ameaçadores ou de agressões, antipsicóticos mais recentes como Risperdal ou Haldol são preferíveis”.
[Geriatric Drug Review]

"Amplictil e outros tranquilizantes principais não são neutralizadores específicos de efeitos do LSD. Usados em altas dosagens, tais medicamentos têm um efeito geral inibidor que suprime e mascara a ação psicodélica do LSD. Uma análise detalhada em retrospectiva desta situação normalmente mostra que o paciente experimenta a ação de ambas drogas simultaneamente, e que o efeito combinado é bem desagradável”.
- Stan Grof, LSD Psychotherapy

O tratamento de uma crise psicodélica com Amplictil deve ser evitado e é considerado uma forma de tortura mental extrema, além de ser conhecido por resultar em semanas ou meses de trauma psicológico para a pessoa tratada por meio desta “camisa de força mental” durante o ocorrência de uma crise psicodélica.
[Thorazine Vault]

Valium (diazepam) - Usado no tratamento de ansiedade e de espasmos musculares, tanto quanto em geral para acalmar as pessoas. A dosagem usada é entre 2 a 10 mg para baixa ansiedade, e de 10 a 30 mg para ataques agudos ou extremos. O Valium é substância controlada nos EUA porque algumas pessoas acreditam que os efeitos sejam agradáveis o suficiente para o uso recreativo. Valium, Xanax e outros equivalente benzodiazepínicos são considerados pela comunidade psicodélica como o melhor tratamento químico para crises psicodélicas extremas.
[Valium Vault]

Xanax (alprazolam) - Mais um benzodiazepínico (como o Valium) usado para tratar ansiedade, espasmos musculares e para acalmar as pessoas. O Xanax faz efeito mais rapidamente do que o Valium e é considerado mais útil para tratar episódios agudos. Pílulas de Xanax são às vezes mastigadas para acelerar os efeitos, apesar de que o gosto pode ser desagradável; e refrigerante, água ou fruta podem ser necessários para reduzir o amargor. A dosagem para Xanax é de 0,25 a 1 mg para baixa ansiedade, e de 1 a 3 mg para ataques extremos e agudos. Veja Valium, acima. Xanax pode ser um pouco mais sedativo do que Valium.
[Xanax Vault]


Definições
Coma - Considera-se “coma” a ocorrência simultânea de inconsciência e baixa ou nenhuma reação a estímulos, e é algo que deve ser levado muito a sério. Comas são uma reação normal a overdoses de GHB, opiáceos, ketamina e DXM; sendo que já se ouviu falar também de sua ocorrência com outras substâncias (2C-T-7, DMT, 5-MeO-DMT e possivelmente outras) e algumas combinações; mas é extremamente incomum com a vasta maioria dos enteógenos/psicodélicos. Se a pessoa estiver inconsciente, diga seu nome, tente despertá-la de forma gentil e pergunte-lhe se está dormindo. Verifique seu pulso e sinta sua testa para ver a temperatura. Cheque a resposta à dor - aperte o músculo ao longo da clavícula e o torça ou belisque com força na base de uma unha; olhe a resposta física a isto (no mínimo as pupilas irão dilatar temporariamente). Se você não tiver resposta pra nada disto, então parece ser um coma. Estados dissociativos fortes podem se assemelhar a um coma, mas assim como alguém que desmaia com álcool, a maioria dos estados dissociados irão incluir algum tipo de movimentação, alguma resposta a estímulos (você a belisca e ela diz “ai”, ou tenta afastar a sua mão, ou rola).

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