Improvisação - So What (Miles Davis)

Esta seção, "Improvisação", é destinada aos músicos que desejam conseguir criar música espontaneamente, empregando essencialmente a linguagem do jazz. Para que isso seja possível, serão analisados tópicos como harmonia, forma, escalas, ritmo e estratégias tradicionais de improviso.

Nesses posts de estudo e improviso, aprenderemos a forma, harmonia e escalas de cada tema com um intuito de aprendizagem progressiva abordando aspectos importantes da linguagem jazzística em cada um.

Trabalharemos hoje com um tema introdutório para nosso estudo da improvisação: So What, primeira faixa do disco Kind Of Blue de 1959. Nosso enfoque nesse tema é dominar a forma e internalizar nosso o ritmo harmônico e reconhecer modulações.

Forma

A primeira coisa que deve ser pensada para a aprendizagem de um novo standard é a forma em que está disposto o tema. É importante internalizar os padrões das mudanças harmônicas para a improvisação, tanto no jazz quanto em qualquer outra linguagem.

No caso de So What, temos um tema de 32 compassos, dividido em A A B A. Isso quer dizer que cada segmento harmônico terá oito compassos quaternários, o segundo é igual ao primeiro, o terceiro introduz uma nova ideia e é seguido por um quarto que reapresenta o primeiro.

Com essas informações em mente, evidencio como se estrutura a música na gravação original:

  1. Introdução livre

  2. Tema – apresentado no baixo

  3. solos individuais, 32 compassos – Miles, Coltrane, Cannonball, Bill Evans

  4. Tema – novamente apresentado no baixo e desaparecendo vagarosamente

 

Harmonia

Começamos por esse standard em função de sua simplicidade de mudanças no tempo harmônico. Dessa forma estudamos para internalizar o momento de mudança de acordes e, por consequência, percebermos o momento para adotarmos uma nova escala para nosso improviso. Tanto A quanto B tem apenas um único acorde que os define, A revolverá em torno de Dm7 e B em Ebm7.

Começamos com esses acordes com o mesmo shape:

Escalas

A importante peculiaridade de So What é que Miles Davis com esse tema apresenta ao mundo jazzístico a improvisação modal. Isso quer dizer que, ao invés de se improvisar pensando em uma tonalidade e progressões harmônicas que revolvem em torno dela, pensaremos as escalas em função ao acorde que está soando, independente do contexto maior do que precede este ou para onde está indo.

Usaremos nos dois acordes o modo Dórico, que é como uma escala menor com a sexta maior. Uma boa forma de internalizar a construção desse modo é pensando em uma escala de Dó sendo tocada a partir da nota Ré. É como se, em um piano, tocássemos só notas brancas (sem acidentes) com nosso centro revolvendo em torno de Ré. Por conveniência, é justamente nesse Ré que temos o A de So What, um acorde menor com sétima, Dm7.

Temos à nossa disposição para o improviso nesse acorde as notas de sua escala formadora:

D – fundamental

E – segunda maior

F – terça menor

G – quarta justa

A – quinta justa

B – sexta maior

C – sétima menor

O segundo acorde está uma segunda menor acima, Ebm7, e seguimos o mesmo pensamento para improvisar no B onde ele aparece. O modo dórico para Eb:

Eb – fundamental

F – segunda maior

Gb -terça menor

Ab – quarta justa

Bb – quinta justa

Cb – sexta maior

Db – sétima menor

Distribuídos pelo braço da guitarra, temos para as formas/shapes para a sessão A Ré Dórico e Ré# Dórico na sessão B.

Agora estamos preparados para brincar encima desse tema. Coloque o backing track e inicie seus estudos! Caso ainda seja difícil fazê-lo, para saber melhor como aplicar as instruções desse post, leia a série de teoria musical.

Don Secoia

Músico, Editor, Produtor,Professor

Currículo

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