
CANNABIS

Explicações de Terence McKenna no livro Alimento dos Deuses
Introdução
Nenhuma planta teve uma participação contínua na família humana durante mais tempo do que o cânhamo. Sementes e restos de fibras de cânhamo foram encontrados nos estratos mais antigos de muitos sítios habitacionais eurasianos. A cannabis, nativa do coração da Ásia Central, espalhou-se por todo o mundo em função da atividade humana. Foi introduzida na África numa época muito antiga, e variedades adaptadas ao frio viajaram com os primeiros seres humanos que atravessaram a ponte de terra para o Novo Mundo. Devido ao seu alcance pandêmico e à sua adaptabilidade ambienta! a cannabis teve enorme impacto sobre as formas sociais e as auto-imagens culturais do homem. Quando a resina da cannabis é colhida em bolotas pretas e pegajosas, seus efeitos são comparáveis ao poder de um alucinógeno, desde que o material seja comido. Esse é o haxixe clássico.
O haxixe existe há vários milhares de anos, ainda que não se tenha certeza sobre quando os seres humanos começaram a colher e concentrar a resina de çannabís. Fumar os produtos da cannabís - modo mais eficiente e rápido de obter seus efeitos - foi um hábito que só chegou à Europa bastante tarde. De fato, o hábito de fumar, em si, só foi introduzido na Europa quando Colombo voltou trazendo tabaco, de sua segunda viagem ao Novo Mundo. , Isso é bastante notável: um dos principais padrões de comportamento humano era desconhecido na Europa até uma época bem recente. Poderíamos observar que os europeus em geral resistiam ao desenvolvimento de estratégias inovadoras para o uso de drogas. Por exemplo, o clister, outro meio de administrar fortes extratos vegetais, também foi desenvolvido no Novo Mundo, por índios das florestas equatoriais da Amazônia, para os quais a borracha natural era familiar. Seu desenvolvimento permitiu experimentar plantas cujos efeitos ou cujo gosto eram objetáveis quando tomados por via oral.
Não é possível dizer com certeza quando a cannabís foi fumada pela primeira vez, ou, na verdade, se o ato de fumar chegou a fazer parte do repertório cultural dos povos do Velho Mundo e depois foi esquecido, para ser reintroduzido a partir do Novo Mundo na época da conquista espanhola. Já que, apesar de ser desconhecido dos gregos e romanos, esse hábito pode ter florescido no Velho Mundo em épocas pré-históricas. Escavações arqueológicas em Non Nak Tha, na Tailândia, revelaram em túmulos datados em 15.000 anos atrás os restos de ossos animais que parecem ter tido matéria vegetal repetidamente queimada em seus centros ocos. O instrumento favorito para fumar a cannabis na Índia, até hoje em dia, é o chelum, um simples tubo de madeira, cerâmica ou pedra-sabão que é enchido de haxixe e tabaco. Não se sabe há quanto tempo os chelums vêm sendo usados na Índia, mas não pode haver muita dúvida de que é um método extremamente eficaz.
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Efeitos da Cannabis Sobre o Corpo Humano (Legendado)
Síndrome da Deficiência Clínica de Endocanabinoides
Referências ao cânhamo são encontradas por toda a história da humanidade. Alimento, medicamento, essência, tecidos. Alguns acreditam que o cânhamo foi a primeira planta a ser domesticada por nossos ancestrais. Na Índia, ela era misturada com leite e especiarias e usada no auxílio à digestão, aliviar febre e disenteria. Alguns acreditavam que ele torna o corpo mais alerta, chamando-o de néctar dos deuses. Em meados do século XIX o cânhamo fazia parte da farmacopéia americana,indicado para uma variedade de condições, desde cólicas a convulsões. No final dos anos 30, os impostos tornaram o cultivo do cânhamo muito caro e os fazendeiros praticamente o abandoram. O cânhamo se tornou raro, os canabinoides praticamente desapareceram da cadeia alimentar e os americanos passaram a ter uma deficiência de canabinoides. O canabidiol é um composto químico natural encontrado em plantas como a equinácea, linhaça, e claro, o cânhamo. Nesta forma ele é conhecido como fitocanabinoide. Mas as plantas não são as únicas fontes.Os canabinoides também são encontrados no corpo humano e até mesmo no leite materno. Alguns pesquisadores defendem que eles desempenham um papel importante no desenvolvimento da primeira infância. Independente da fonte, os canabinoides trabalham com o sistema endocanabinoide também chamado de SEC. O SEC é uma rede de receptores de canabinoides encontrados no cérebro dos mamíferos e seus órgãos abdominais. Este sistema desempenha um papel crucial na regulação de muitas funções orgânicas, como humor, sono e apetite. Presente desde os estágios iniciais do desenvolvimento do feto, o SEC consiste predominantemente de receptores endocanabinoides localizados no sistema nervoso central e periférico. Os receptores CB1 no sistema nervoso central combinam-se com os neurônios para ajudar a regular a bioquímica do corpo. Tanto os endocanabinoides quanto os fitocanabinoides se encaixam nestes receptores para controlar a passagem de proteínas entre as células. Os receptores CB2 no sistema nervoso periférico são encontrados predominantemente nos leucócitos, na amígdala e no baço. Os canabinoides que se ligam a estes pontos ajudam a modular a resposta do sistema imunológico a doenças e lesões. Pesquisas têm mostrado que o canabidiol tem o potencial de diminuir inflamações e proteger as células da oxidação. No entanto, com a falta de canabidiol na cadeia alimentar e a tendência dos canabinoides endógenos de se degradarem no corpo humano, a maioria das pessoas sofre de alguma deficiência destes compostos importantes. Esta ausência de canabinoides tem levado pesquisadores a definirem uma condição chamada de Síndrome da Deficiência Clínica de Endocanabinoides. Uma dieta rica em fitocanabinoides, como sementes e óleos de cânhamo pode compensar esta deficiência. A descoberta dos canabinoides e do sistema endocanabinoide tem forçado a comunidade científica a rever como muitas das doenças mais debilitantes funcionam e como tratá-las. Assim, muitos de nós somos deficientes nestas substâncias que desempenham um papel fundamental no equilíbrio e saúde de nossos corpos. Estes receptores são uma parte intrínseca de nós mesmos, nos levando a questionar: Teríamos uma deficiência de canabinoides?
Chamado “This is Your Body on Weed” – “Esse é o seu corpo sob o efeito da maconha”, a animação de título original “Marijuana & The Brain” – “Maconha e o cérebro”, de cerca de dois minutos explica o que é THC e CBD, ambos compostos da maconha, que possuem diversos efeitos, quando consumida de diferentes formas, mostrando como o uso da erva afeta o corpo humano.


Cannabis: A Lost History (ENG)
This documentary explores the longstanding relationship of human beings and cannabis, from its use in ancient Asia to its ban in 20th century America.

