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É importante ler alguns reports para expandir seu dicionário interno através de jornadas explicadas por veteranos mais articulados... 

∞ Experiências com Iboga

Relato de 50g por Leo Bongiovi

Olá amigos e irmãos!

Em 2010 obtive quase 1 kg da casca da raiz, desde então fiz experiências em baixas e médias doses, cujo efeito é muito estimulante. A ampliação de consciência desta forma de trabalho com a Iboga é bastante, eu diria "auto-impositiva", disciplinadora e rígida, te dá uma clareza muito grande da realidade ordinária, das coisas mais pesadas da existência e não as torna leves não, desde o início a Iboga me trouxe "choques" de realidade. A experiência das microdoses é tão rica que merece outro post.

Dias desses decidi realizar um trabalho com uma quantidade maior da casca da raiz que eu tinha guardado especialmente para esse momento, depois de uma longa preparação. Não sei ao certo quanto tinha, minha balança de precisão está ruim, mas pelo empírico da experiência com doses menores mandei ver várias colheradas que estimo ter cerca de 50g em média, uma quantidade farta mas segura.

Os efeitos iniciais são de muito estímulo, olhos bem abertos, coração acelerado, um enjôo não intenso mas contínuo, em um segundo momento (2-3hs depois) começa a ataxia, que é a dificuldade de coordenar os músculos, no início a gente sente eles um pouco fracos, é possível andar com cuidado, e a ataxia vai aumentando até um ponto em que não se tem o desejo de se movimentar porque exige muito esforço para fazê-lo de forma correta. Desde o início da experiência as análises do pensamento crítico se tornam cada vez mais afiadas. E então as visões começam.

Em minha experiência, as imagens surgem tanto de olhos abertos quanto de olhos fechados, mas surgem com nitidez comparável à realidade apenas no escuro, no começo de cada "quadro" algo surge como uma sombra neste espaço escuro dos olhos fechados, se aproxima muito e fica extremamente nítida: Ah! É a textura macro da digital de um dedo polegar, daí se esvai e aparece a textura de um tecido jeans, que se esvai e então aparece a textura em macro de uma pintura de parede aveludada, e então me afasto e aquele dedo é da minha mãe, a textura é da parede da sala da minha mãe e o jeans que estou usando enquanto converso agradáveis verdades com ela. A conversa é demorada, nos concentramos em "colocar tudo em panos limpos". 
Há um período de várias horas da experiência que é exatamente um filme em preto e branco ou se há alguma cor seria em tom de sépia. Este filme é muito calmo e extremamente agradável, pois 
esse filme é todo meu, eu fiz o script, dirigi e utilizando todas as peças comuns do dia a dia estou encenando-o para mim mesmo com o objetivo de me conhecer melhor. Não há troca de quadro enquanto a questão abordada não for avaliada e consolidada e eu diga que está ok. E então passa para outro quadro com outra questão: agora vamos tratar do cigarro, eu consigo sentir o aperto no coração da minha mãe em saber que o filho fuma e pode ter doenças em decorrência disso.

Não vi objetos extraordinários ou desconhecidos (como acontece com a ayahuasca), a experiência com a Iboga traz visões do comum, do cotidiano, pessoas, vozes, objetos que você tem acesso com frequência e há revisão, comparação e consolidação das verdades pessoais que trazem paz.
Todas as informações têm a força da mais absoluta verdade em que acredito, e se há alguma informação nova ela vêm do confronto, análise e resolução de duas informações subconscientes previamente estabelecidas.
E é aí que acredito estar o grande efeito espiritual e de certa forma terapêutico da substância, aliás, a mim não há dúvida quanto à sua validade em contexto religioso como terapia espiritual para minimizar as mazelas da vida.

Ao todo o trabalho durou mais de 24 hs, sendo pelo menos 8 hs de total repouso assistindo ao meu filme. Quando pude abrir os olhos levei um tempo para conseguir levantar e só depois de 1-2 hs conseguir ir ao banheiro com ajuda de quem me acompanhou.

Não achei qualquer ponto em comum com as visões da ayahuasca, talvez haja um ponto em comum posterior à experiência que é o reconhecimento da paz que viver sob a luz da verdade traz.

Há uma analogia de um relato no erowid que achei muito pertinente: Ayahuasca te leva mais longe e Iboga mais fundo. Te levam a dimensões diferentes, talvez complementares, quem sabe!

Quase 2 semanas depois da experiência o trabalho com a Iboga continua muito intenso. A impressão que tenho é de que o trabalho visionário inicial, ainda que extremamente forte e transformador, é apenas uma milionésima parte do trabalho da Iboga em si. O filme ainda reverbera clara e nitidamente. A cada dia os despertares pela manhã são cada vez mais claros e belos, aquilo que era postergado já não o mais é, a disciplina a todo momento "catuca" e faz com que o agir em lugar do repouso se torne tão prazeroso a ponto de o trabalho mais puxado ser percebido como lazer e descanso em uma perspectiva maior da realidade, pois o cansaço diante de atividades exaustivas é nitidamente menor (e eu que trabalho em campo, ando sob sol quente e lido com graves conflitos fundiários que o diga!) O sofrimento já muito bateu à porta, agora ele é aceito e me é dito que não dói mais.

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