Alan Watts

Pensador que popularizou perspectivas de libertação orientais para o público ocidental. É notavel em sua formação experiências com LSD e DMT, bem como décadas de estudo aprofundado e vivências teológicas e nas raizes do zen budismo. Os questionamentos que levanta em suas conversas poderão conduzir sua compreensão à um senso de identidade fluido e desobstruído!

[51 min]  Como fluir naturalmente (Legendas em Português)

..."Quando examinamos as nossas correntes sanguíneas sob um microscópio vemos que há uma grande luta a decorrer. Todos os tipos de microrganismos estão a mastigar-se uns aos outros. E se ficarmos excessivamente fascinados com a nossa visão das nossas próprias correntes sanguíneas no microscópio, devíamos começar a tomar partido, o que seria fatal, porque a saúde do nosso organismo depende da continuação desta batalha. O que é, por outras palavras, o conflito a um nível de ampliação, é a harmonia a um nível mais elevado. Agora será possível que nós, com todos os nossos problemas, conflitos, neurose, doenças, ultrajes políticos, guerras, torturas e tudo o que se passa na vida humana seja um estado de conflito que pode ser visto numa perspetiva maior como uma situação de harmonia?"

[5 min] Alan Watts e Terence McKenna falam sobre nossa necessidade de um senso de unidade, como nossos problemas globais estão piorando e nós nos tornando os inimigos de nosso planeta e uns dos outros.

15 Frases de Alan Watts

1 - Os que nós odiamos mais são muitas vezes também os que nós amamos mais.

2 - Você sofre porque você deseja.

3 - O sentido da vida é estar vivo. É tão claro, tão óbvio e tão simples. Mesmo assim, todo o mundo não pára de correr em pânico, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si próprio.

4 - A vida é uma piada. Explicar é estraga-la.

5 - Tentar-se definir-se é como tentar morder o seu próprio dente.

6 - Assim como a moralidade, o intelecto é um bom servo e um mau mestre.

7 - Nós dizemos «eu vim ao mundo». Nem pensar. Nós saímos da mesma maneira que os frutos saem das árvores.

8 - Não serve estritamente de nada fazer planos para um futuro que nunca se poderá gozar. Uma vez esses planos chegados à maturidade, encontramo-nos em vias de viver para um outro futuro situado ainda mais longe.

9 - Não se morre nunca, pois nunca se nasceu. Simplesmente se esquecera que se era.

10 - O que a morte destrói, não é o indivíduo nem o organismo/ambiente: é o ego; e, por consequência, a libertação em relação ao ego é sinónima da plena aceitação da morte.

11 - O despertar da libertação consiste em se dar conta de que todas as escolhas entre os «opostos» é separação dos inseparáveis.

12 - Tem-se necessidade de inimigos e de estranhos para se definir a si próprio.

13 - A iluminação é, antes de mais, a liberdade de se ser o falhado que se é.

14 - Imaginam-se as reações da consciência cristã à ideia de que, nos bastidores, Deus e o Diabo eram os melhores amigos do mundo, e de que eles não tomaram partidos opostos senão com vista a organizarem um grande jogo cósmico.

15 - É sempre preciso desconfiar dos problemas que permanecem resolutamente insolúveis e questionar se não se trata de questões mal colocadas.

[3h] Seminário "Mente sobre Mente" 

Sempre fui fascinado pela idéia da morte desde que consigo me lembrar, desde a primeira infância. Talvez você ache isso meio mórbido, mas quando uma criança à noite diz a frase Se eu morrer antes de acordar, há algum nisso que é absolutamente diferente. Como seria ir dormir e nunca acordar? A maioria das pessoas razoáveis simplesmente dispensa esse pensamento. Elas dizem, “Você não pode imaginar isso”, dão de ombros e dizem “Vai ser o que vai ser”.

Mas eu sou uma dessas pessoas teimosas que não se contentam com uma resposta dessas. Não que eu esteja tentando descobrir algo além, mas eu sou totalmente fascinado pelo que seria ir dormir e nunca mais acordar. Muitas pessoas pensam que seria como ir para uma eterna escuridão ou ser queimado vivo. Obviamente não seria nada como isso! Porque só conhecemos a escuridão pelo contraste, e somente pelo contraste, com a luz.

Tenho uma amiga, uma garota, que é muito inteligente e articulada, que nasceu cega e não tem a menor idéia do que seja a escuridão. A palavra significa tão pouco pra ela quanto a palavra luz. Então é a mesma coisa pra você: você não está consciente da escuridão quando está dormindo.

Se você for dormir, para dentro da inconsciência por todo o sempre, não seria nada como estar na escuridão; não seria nada como ser queimado vivo. Na verdade, seria como se você jamais tivesse existido! Não só você, mas como tudo o mais. Você estaria naquele estado, como se nunca tivesse existido. E, claro, não haveria problemas, não haveria alguém para se arrepender da perda de nada. Você nem sequer poderia chamar isso de tragédia porque não haveria ninguém para chamar isso de tragédia. Seria um simples – nada. Para sempre e para o nunca. Porque, não só não haveria futuro, você também não teria passado nem presente.

A essa altura provavelmente você deve estar pensando, “Vamos falar de outra coisa”. Mas eu não me contento com isso, porque isso me faz pensar em duas outras coisas. Primeiro, o estado do nada me faz pensar que a única coisa na minha experiência que é próxima do nada é a maneira que minha cabeça olha para meu olho, e então por trás do meu olho não há um ponto preto, não há sequer um lugar vazio. Não há nada! Não estou consciente da minha cabeça, como se fosse, como um buraco negro no meio de toda a experiência luminosa. Não tem nem delimitações muito claras. O campo de visão é oval, e por causa dessa visão oval não há nada. Claro, se eu usar meus dedos e tocar eu posso sentir algo por trás dos meus olhos; mas se eu uso o sentido da visão sozinho há simplesmente nada. Ainda assim, do vazio, eu enxergo.

A segunda coisa que me faz pensar é quando eu estiver morto eu serei como se eu nunca tivesse sido, e isso era o que eu era antes de ter nascido. Assim como eu tento ir para trás dos meus olhos e descubro o que há lá eu chego num vazio, se eu tentar ir pra trás e pra trás e me lembrar minhas memórias mais antigas, e anterior a elas – nada, branco total. Mas do mesmo jeto que sei que há algo por trás dos meus olhos usando meus dedos na minha cabeça, eu sei por outras fontes de informação que antes de eu nascer havia algo acontecendo. Havia meu pai e minha mãe, e os pais e mães deles, e todo o ambiente sólido da Terra e da vida de onde eu vim, e por trás disso o sistema solar, e por trás a galáxia, e por trás todas as galáxias, e por trás outro branco – o espaço. Eu raciocino que se quando eu morrer eu voltar para o estado onde eu estava antes de nascer, poderia isso acontecer de novo?

O que aconteceu uma vez pode muito bem acontecer de novo. Se aconteceu uma vez é extraordinário, e não é realmente muito mais extraordinário se acontecer de novo. O que eu sei é que vi pessoas morrerem e vi pessoas nascerem depois delas. Então depois que eu morrer não somente alguém vai nascer mais miríades de outros seres vão nascer. Todos sabemos disso; não há dúvida sobre isso. O que nos preocupa é se quando estivermos mortos haverá nada para sempre, como se houvesse algo com o que nos preocupar. Antes de você nascer havia esse mesmo nada para sempre, e você aconteceu. Se você aconteceu uma vez você pode acontecer de novo.

Mas o que isso significa? [nota da tradução: neste parágrafo o autor Alan Watts inventa um verbo em inglês e faz uma analogia com outra palavra em inglês que não se traduz da mesma maneira para o português, mas, apesar disso, o sentido está mantido] Olhar isso da maneira mais simples e pra me explicar, devo inventar um novo verbo. Esse é o vergo “ser EU” (do inglês, “to I”). Vamos falar com a palavra “Eu” mas invés de ser um pronome será um verbo. O universo “se torna eus”. Se torna eu em mim e eu em você. E vamos resoletrar a palavra “olho” (eye, igual a pronúncia de “I”), que significa olhar para algo, estar ciente de algo. Então vamos mudar as letras e diremos que o universo “olha”. Se tornar ciente de si mesmo em cada um de nós, e se manter “se tornando eus”, e cada vez que se torna um eu cada um de nós esse “eu” sente que é o centro de todas as coisas. Eu sei que você sente que você é esse “eu” do mesmo jeito que eu sinto que eu sou eu. Todos temos o mesmo passado do nada, não nos lembramos de ter feito isso antes, e ainda assim isso foi feito antes várias vezes, não só antes no tempo mas em torno de nós em todo o lugar há todo mundo, há o universo “se tornando eus”.

Vou tentar deixar isso mais claro dizendo que é o universo que está se “eu-sificando”. O que quero dizer com “Eu”? Há duas coisas. Primeiro, você pode entender pelo seu ego, sua personalidade. Mas esse não é o seu real Eu, porque sua personalidade é sua idéia de si mesmo, sua imagem de si mesmo, e isso vem de como você se sente, de como você pensar a respeito de si mesmo junto com o que todos os seus amigos e seus relacionamentos lhe disseram sobre você mesmo. Então sua imagem de si mesmo obviamente não é você assim como uma fotografia não é você e nenhuma outra imagem de qualquer coisa é. Todas as nossas imagens de nós mesmos não são mais do que caricaturas. Elas não contém informação para a maioria de nós de como nós crescemos nossos cérebros, como trabalhamos nossos nervos, como circulamos nosso sangue, como secretamos nossas glândulas, e como formamos nossos ossos. Isso não está contido na sensação da imagem que chamamos de ego, então obviamente, a imagem do ego não sou eu.

Meu ser contém todas essas coisas que o corpo está fazendo, a circulação do sangue, a respiração, a atividade elétrica dos nervos, tudo isso sou eu mas eu não sei como é construído. E, ainda assim, faço tudo isso. É verdadeiro dizer que eu respiro, que eu ando, eu penso, eu estou consciente – eu não somo eu faço para ser, mas eu faço da mesma maneira que cresço meu cabelo. Eu devo então localizar o centro de mim, meu “Eu-sificador” (I-ing), num nível mais profundo que meu ego que é minha imagem ou a idéia de eu mesmo. Mas quão profundo nós vamos?

Podemos dizer que o corpo é o “Eu”, mas o corpo vem do resto do universo, vem de toda essa energia – então é o universo que está se “eu-sificando”. O universo “se torna eus” da mesma maneira que uma árvore “se torna maçã” ou uma estrela brilha, e o centro do “em-maçã-amento” é a árvore e o centro do brilho é a estrela, e então o centro básico do ser do “se tornar eu” é o universo eterno ou a eterna ciosa que tem existido por dez milhares de milhões de anos e que provavelmente vai existir por no mínimo tanto tempo mais. Não estamos preocupados com o quão longo vai existir, mas repetidamente “se torna eus”, então parece totalmente razoável assumir que quando eu morrer e este corpo físico evaporar e o sistema de memória inteiro ir com ele, então a consciência que eu tinha antes começará tudo de novo, não exatamente da mesma maneira, mas de um bebê nascendo.

Claro, miríades de bebês irão nascer, não apenas bebês humanos mas bebês sapos, bebês coelhos, bebês moscas, bebês virus, bebês bactérias – e qual deles eu serei? Apenas um deles e ainda assim cada um deles, essa experiência sempre vem de uma maneira singular por vez, mas certamente um deles. Na verdade não faz muita diferença, porque se eu nascer de novo como uma mosca de fruta eu pensaria que ser uma mosca de fruta seria o curso normal dos eventos, e naturalmente eu pensaria ser uma pessoa importante, um ser de alta cultura, porque moscas de fruta obviamente tem alta cultura. Nós nem sabemos como olhar pra isso. Mas provavelmente elas tem todo tipo de sinfonias e música, de performances artísticas no jeito que a luz reflete em suas asas de maneiras diferentes, o jeito que dançam no ar, e elas dizem, “oh, olhe pra ela, veja ela realmente tem um estilo, olhe como a luz do sul aparece das asas dela”. Elas no mundo delas pensa que são tão importantes e civilizadas quanto nós pensamos em nosso mundo. Então, se eu acordasse como uma mosca de fruta eu não me sentiria nada diferente do que sinto quando acordo como um ser humano. Eu me acostumaria.

Bem, você diz, “Não seria eu! Porque se fosse eu de novo eu teria me lembrado de como eu era antes!”. Certo, mas você não sabe, lembre-se, como você era antes e ainda assim você está contente o suficiente para ser o “eu” que você é agora. Na verdade, é através de um bom arranjo neste mundo que nós não lembramos como era antes. Por que? Porque a variedade é o sabor deste mundo, e se lembrássemos, e lembrássemos, e lembrássemos termos feito isso de novo e de novo e de novo nós ficaríamos entediados. Para você conseguir ver uma figura, você tem que ter um fundo, para que a memória tenha valor você tem que ter um “esquecimento”. Por isso vamos dormir toda noite para nos renovarmos; vamos para a inconsciência para que ao voltar à consciência de novo tenhamos uma grande experiência.

Dia após dia nós lembramos os dias que se foram antes, mesmo que exista o intervalo do sono. Finalmente chega uma hora em que, se considerarmos o que é do nosso verdadeiro gostar, nós quereremos esquecer tudo que aconteceu antes. Então podemos ter a extraordinária experiência de ver o mundo de novo e de novo através dos olhos de um bebê, qualquer tipo de bebê. Então será tudo completamente novo e nós teremos toda a surpreendente maravilha que uma criança tem, toda a vivacidade da percepção que teríamos se lembrássemos tudo para sempre.

O universo é um sistema que esquece de si mesmo e então lembra-se como novo, para que sempre haja mudança e variedade constante em um período de tempo. Também faz isso no período de espaço ao olhara para si mesmo através de diferentes organismos vivos, dando uma visão completa ao redor.

É um jeito de se livrar do preconceito, de se livrar de uma visão fixa. A morte neste sentido é uma tremenda liberação da monotonia. Ela coloca um ponto final no processo do esquecimento total num processo rítmico de liga-desliga, liga-desliga para que você possa começar tudo de novo e nunca estar entediado. Mas o ponto é que se você pode fantasias a idéia de ser nada para sempre, o que você está realmente dizendo é que depois que eu estiver morto o universo pára, e o que eu estou dizendo é que ele vai justamente como foi quando você nasceu. Você pode achar incrível ter mais de uma vida, mas não é incrível que você tenha esta aqui? Isso é assombroso! E pode acontecer de novo e de novo e de novo!

O que estou dizendo é apenas que porque você não sabe como ser consciente, como crescer e formar o corpo, isso não significa que você não esteja fazendo. Da mesma maneira, se você não sabe como o universo estrela as estrelas, como ele constela as constelações, ou galaxia as galáxias – você não sabe mas não significa que você não esteja fazendo da mesma maneira que você está respirando sem saber como respirar.

Se eu disser realmente e verdadeiramente que sou este universo inteiro, ou este organismo particular, é um “eu-sificamento” feito pelo universo inteiro, então alguém poderia dizer pra mim, “Que diabos você pensa que é? Você é Deus? Você faz as galáxias girarem? Você pode unir as doces influências das Plêiades ou afrouxar os elos de Orion?. E eu respondo, “Quem diabos você pensa que é! Você pode me dizer como faz crescer seu cabelo, como forma seus globos oculares, e como faz para enxergar? Bem, se você não puder me dizer isso, eu não posso lhe dizer como eu giro as galáxias. Apenas localizei o centro de meu ser num nível mais profundo e mais universal do que nós estamos, em nossa cultural, acostumados a fazer”.

Então, se essa energia universal é o verdadeiro eu, o verdadeiro ser que “se torna eus” em diferentes organismos em diferentes espaços ou lugares, e acontece de novo e de novo em tempos diferens, temos um maravilhoso sistema funcionando em que podemos ficar eternamente surpresos. O universo é realmente um sistema em que se mantém surpreendendo a si mesmo.

Muitos de nós tem uma ambição, especialmente em uma era de competência tecnológica, de ter tudo sobre seu controle. Esta é uma falsa ambição porque você só tem que pensar por um momento como seria realmente saber e controlar tudo. Suponhamos que nós tivéssemos uma tecnologia supercoloosal que poderia realizar nossos maiores sonhos de competência tecnológica de maneira que tudo que estivesse acontecendo seria pré-conhecido, previsto e tudo estaria sobre nosso controle. Por que, seria como fazer amor com uma mulher de plástico! Não haveria surpresa nisso, nenhuma resposta nos tocar como quando tocamos outro ser humano. Disso vem uma resposta, algo inesperado, e é isso que realmente queremos.

Você não pode experimentar o sentimento que você chama de “eu” a menos que seja em contraste com o sentimento de um outro. É como conhecido e desconhecido, luz e escuridão, positivo e negativo. O outro é necessário para que você sinta si mesmo. Não é esse o arranjo que você quer? E, da mesma forma, não poderia você dizer que o arranjo que você quer é não se lembrar? A memória é sempre, lembre-se, uma forma de controle: Tenho em mente como fazer. Eu sei o seu jeito, você está sob controle. Eventualmente você irá querer largar esse controle.

Agora, se você for lembrando e lembrando e lembrando, é como escrever em um pedaço de papel e escrever e escrever até que não haja mais espaço no papel. Sua memória é preenchida e você precisa limpá-la para que você possa começar a escrever de novo.

Isso é o que a morte faz pra gente: ela limpa o quadro e também, do ponto de vista da população e do organismo humano no planeta, também nos “limpa”! Uma tecnologia que permitisse a cada um de nós ser imortal iria progressivamente lotar o planeta com pessoas com memórias desesperadoramente cheias. Elas seriam como pessoas vivendo em uma casa onde acumular tantas propriedades, tantos livros, tantos vasos, tantos jogos de garfos e facas, tantas mesas e cadeiras, tantos jornais que não existiria nenhum espaço para se mover.

Para viver precisamos de espaço, e espaço é um tipo de nada, e a morte é um tipo de nada – é tudo o mesmo princípio. E colocando blocos ou espaços de nada, espaços de espaço dentro os espaços de alguma coisa, tornamos a viva adequadamente espaçada. A palavra alemã lebensraum significa espaço para viver, e isso é o que o espaço nos dá, e o que a morte nos dá.

Perceba que em tudo que eu disse sobre a morte eu não trouxe nada que pudesse ser chamado de fantasmagórico. Não trouxe nenhuma informação sobre nada que você já não soubesse. Não invoquei nenhum conhecimento misterioso sobre almas, memórias de vidas passadas, nada disso; apenas falei usando termos que você já conhecia. Se você acredita na idéia que a vida além da tumba é apenas um desejo iludido, eu admitirei.

Vamos assumir que é um desejo iludido e quando você estiver morto não exista nada. Que seja o fim. Note, em primeiro lugar, que essa é a pior coisa que você poderia ter medo. Isso lhe amedronta? Quem é que vai ter medo? Suponha que termina – nenhum problema mais.

Mas então você verá que esse nada, se você acompanhou meu argumento, é algo de onde você seria jogado pra fora de novo assim como você foi jogado pra dentro quando nasceu. Você é jogado pra fora do nada. O nada é um tipo de salto porque implica que o nada implica algo. Você volta novo, diferente, nada a ser comparado com o de antes, uma experiência renovada.

Você tem esse senso de nada assim como você tem o senso de nada por trás do seus olhos, um nada muito poderoso e vivo por trás do seu inteiro ser. Não há nada naquele nada para se temer. Com esse entendimento você pode viver como se o resto da sua vida fosse um molho de carne porque você já está morto: você sabe que vai morrer.

Dizemos que as únicas certezas que temos são a morte e os impostos. E a morte de cada um de nós agora é tão certa quanto seria se fossemos morrer daqui a cinco minutos. Então, onde está sua ansiedade? Onde está sua desistência? Tome a si mesmo como já morto para que você não tenha nada a perder. Um provérbio turco diz que “Aquele que dorme no chão não cai da cama”. Da mesma forma é a pessoa que se toma como já morta.

Portanto, você é virtualmente nada. Daqui a cem anos você será um punhado de pó, e isso acontecerá de verdade. Junte tudo isso agora e aja baseado nessa realidade. E a partir disso… nada. Você repentinamente se surpreenderá: quanto mais você souber que é nada, mais você vai ascender a alto.

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